Sou mentalmente saudável. Será?

Sou mentalmente saudável. Será?

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Este tema provocativo é útil para que o leitor tome inicialmente consciência da dificuldade que é qualificar ou determinar os parâmetros e condições de uma mente saudável. Por mais estranho que pareça, definir sintomas de uma mente doente é mais objetivo, coerente e direto do que descrever uma mente sã. Determinar estados de saúde e de normalidade em psicopatologia é questão de grande controvérsia (Almeida Filho, 2000). Nos casos onde o desvio da saúde é claramente distinto – como provocar danos a si mesmo e a outros, dificuldades em comer e ter higiene pessoal, dificuldades em se comunicar e/ou se mover, etc – estes são facilmente distinguíveis entre mente sã e não sã. Porém existe um número grande de casos limítrofes, nos quais a delimitação entre comportamentos e sensações normais e patológicas é bastante complexa.

Para conceituar o que é saúde e doença mental os pesquisadores precisaram se esforçar. E este trabalho é de grande responsabilidade visto que médicos se norteiam pelos conceitos determinados para elaborarem tratamentos aos seus clientes. Vamos compreender melhor estas dificuldades.

Quais são os critérios de normalidade? São muitos os critérios de normalidade e anormalidade em psicopatologia. A adoção de um ou outro depende, de opções filosóficas, ideológicas e pragmáticas do profissional (Cauguilhem, 1978) alguns critérios de normalidade são:

  1. Normalidade como ausência de doença: Normal do ponto de vista psicopatológico, é aquele indivíduo que simplesmente não exibe ou vivencia sintomas de transtorno(s) mental(ais). Este critério é bastante falho e precário, pois, além de redundante, baseia-se em uma definição negativa”, ou seja, define-se a normalidade não por aquilo que supostamente é, mas, sim, por aquilo que ela não é, pelo que lhe falta (Almeida Filho; Jucá, 2002).
  2. Normalidade estatística: Trata-se de um conceito de normalidade que se aplica a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população em geral (como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos, etc). O normal passa-se a ser aquilo que se observa com mais frequência. Os indivíduos que se situam estatisticamente fora de uma curva de distribuição normal passam, por exemplo, a ser considerados anormais ou doentes. É um critério muitas vezes falho, pois nem tudo o que é frequente é necessariamente “saudável”, e nem tudo o que é raro ou infrequente é patológico (Dalgalarrondo, Paulo, 2008).
  3. Normalidade como bem estar: A Organização mundial de saúde definiu o estado de saúde como um bem estar físico, mental, social e não simplesmente como ausência de doença. Mas este conceito também tem graves falhas por ser muito vasto e impreciso, devido ao conceito de bem estar ser difícil de ser definido de maneira pratica e objetiva. Outro ponto relevante é que tamanho de bem estar e sua “aparente” dificuldade em conquista-lo tem aspecto utópico, aos quais poucas pessoas a atingiriam. Isso faria com que o número de pessoas diagnosticadas com transtornos mentais desse um salto gigantesco.
  4. Normalidade subjetiva: Aqui é dada maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação ao seu estado de saúde, às suas vivências subjetivas. O ponto falho deste critério é que muitas pessoas que se sentem bem, “muito saudáveis e felizes”, como, no caso de sujeitos em fase maníaca, apresentam, de fato, um transtorno mental grave (Dalgalarrondo, Paulo, 2008).

Por estas informações podemos perceber que o conceito de normalidade em psicopatologia é complexo e implica na controversa definição do que vem a ser saúde e doença mental. É comum lermos nos clássicos, personalidades de grande influência terem sido rotuladas como loucos, por exemplo: o matemático e ocultista Giordano Bruno; o filósofo grego Sócrates; outro filósofo grego que foi visto como louco foi Diógenes; e inclusive Jesus, que também faz parte desta pequena lista.

Portanto a definição de mente sã ou não é um debate acalorado. A sugestão aqui é manter a mente sempre envolta em atividades sadias, como ler bons livros (os clássicos são ótimos), manter o equilíbrio emocional, pensar antes de responder a qualquer indagação, refletir sobre as origens daquilo que se gosta e do que não gosta; afinal quando você decidiu que não gosta de algo e por quais motivos? Manter a cordialidade; ler sobre a saúde da mente, etc. A ideia é manter a mente ativa. Enfim, você compreendeu a ideia, mente ocupada com conteúdos de qualidade cria resistência a transtornos mentais. Portanto aproveite, muita saúde e felicidades.

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